Escrito por Agência FonteMidia Ter, 24 de Agosto de 2010 14:10
Infraestrutura e cultura dos pequenos empreendedores são os principais obstáculos, afirma a Intelecta, desenvolvedora do Software Empresário
A desenvolvedora do Software Empresário, Intelecta, com mais de 60 mil clientes espalhados pelo Brasil, acredita que a computação na nuvem deverá se tornar uma realidade efetiva nos próximos anos. Mas, para as médias e grandes empresas e não para as micros e pequenas. Isto porque, segundo avalia a direção da software-house, a deficiência da infraestrutura de telecomunicação para o acesso à banda larga no Brasil e a cultura dos pequenos empreendedores, que não têm confiança em manter as informações de seus negócios localizados fora de sua empresa, constituem o maior obstáculo para o avanço da chamada cloud computing neste segmento de mercado.
De acordo com Francisco Fernandes, diretor de Relacionamento e Novos Negócios da Intelecta, os planos para prover as soluções do Software Empresário na nuvem estão sendo analisados com carinho e muita calma, mas as primeiras análises destacam a deficiência no acesso à banda larga fixa e móvel e, principalmente, a cultura dos pequenos empreendedores como fatores limitantes para um projeto em curto prazo.
“Estamos aqui na Avenida Paulista e em algumas áreas de sombra o smartphone, por exemplo, não funciona. Se a pequena empresa depender do serviço móvel em seu negócio, ela será mais prejudicada. Outra coisa: temos mais de 60 mil clientes em todo o Brasil, incluindo as regiões mais distantes, mas em bairros aqui na capital paulista o acesso à banda larga é desesperador. Ou ele não existe ou é precário, com velocidades muito abaixo do necessário. A conexão é intermitente em muitos casos ou cai por um período maior em muitas situações”, comenta o executivo.
“Imagine em localidades afastadas. Como se ter um projeto na nuvem nestas condições?”, questiona o executivo. Isto sem falar nos investimentos envolvidos que, para um micro empreendedor passa a ser significativo. Imagine pagar um valor mensal de R$ 600,00 numa solução básica de conexão fornecida pelas empresas de Telecom, para um serviço que deveria ter sido entregue pelo ADSL por um valor menor que R$ 100,00. A conexão fixa pode significar R$ 7.200,00 por ano, um valor alto demais para uma pequena empresa investir em infra-estrutura”.
Para Carlos Mariano, diretor comercial da Intelecta, a coisa se complica quando o assunto é manter um serviço na web com os dados de negócios gerenciados e armazenados em servidores que não estão dentro das suas próprias empresas. “Os micros e pequenos empreendedores não confiam nisso. Grande parte deles não utiliza os serviços online de seu próprio banco, que pode facilitar a sua vida evitando filas e agilizando o processo de negócio, justamente porque ele não quer correr o risco de ter algum tipo de problema com isso. Outros nem sabem usar a Internet, na verdade”, afirma.
“O projeto de nuvem para este segmento da economia deverá, obrigatoriamente, levar estes fatores em consideração. Por enquanto, o mercado das micros e pequenas empresas vai por muitos anos manter o uso de software instalado em suas dependências. Isso é bom, da mesma forma que a nuvem também se apresenta como alternativa vantajosa em muitos casos. Acreditamos que as atuais aplicações irão conviver pacificamente. Muitos serviços na web já são usados pelos pequenos empreendedores e com o tempo a cultura também mudará. Nossa solução poderá ser um projeto hibrido para este mercado”, afirma Mariano.
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